terça-feira, 3 de novembro de 2009

Som altera percepção visua

Estímulos auditivos podem afetar significativamente a percepção visual. É o que mostra um trabalho desenvolvido por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Eles descobriram que a audição altera a atividade de áreas no cérebro humano envolvidas com o processamento de estímulos visuais. "Nosso estudo indica que o mais importante para o homem e os demais animais não é um sentido em particular, mas as interações entre os diversos sentidos", disse à CH on-line o professor de computação Shinsuke Shimojo, um dos responsáveis pela pesquisa. O trabalho foi publicado em dezembro na revista NeuroReport. Inicialmente, os cientistas verificaram experimentalmente que, quando exposto a um flash de luz acompanhado por dois ruídos, um observador acreditava ter visto dois flashes ao invés de apenas um. O segundo flash percebido por ele é uma ilusão causada pelo som, ou seja, não é resultado de nenhum estímulo visual. Os pesquisadores descobriram ainda que, quando o som altera a percepção visual, também a atividade de certas regiões no cérebro é afetada. Essa mudança na percepção visual induzida pelo som poderia em princípio ser provocada por alterações em duas áreas distintas do cérebro: a responsável pela combinação dos estímulos de vários sentidos ou a exclusivamente envolvida no processamento da informação visual. Nas condições em que o estudo foi desenvolvido, os cientistas concluíram que a região cerebral associada especificamente à visão era a afetada pelos estímulos auditivos. Além disso, as atividades medidas nas áreas visuais do cérebro quando realmente havia um segundo estímulo visual e quando havia apenas a ilusão provocada pelo som foram muito semelhantes. Desse modo, os pesquisadores concluíram que, nas áreas visuais do cérebro, estímulos auditivos e visuais são capazes de induzir efeitos semelhantes. Os resultados dessa pesquisa sugerem que as informações captadas por cada sentido não são processadas isoladamente, o que pode ter implicações diretas e indiretas. "Entre as implicações diretas, podemos destacar alterações nos métodos laboratoriais de análise e interpretação de dados, assim como mudanças nos livros que tratam da percepção", explica Shimojo. "Indiretamente, podemos citar aplicações no tratamento e educação de crianças deficientes, no desenvolvimento de jogos e na avaliação de diferenças e talentos individuais."

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