terça-feira, 3 de novembro de 2009

Composição química de mares teria mudado ao longo dos anos

A análise de gotículas de água do mar de épocas passadas conservadas no interior de cristais de sal pode derrubar a teoria vigente de que a composição química dos oceanos permaneceu inalterada nos últimos dois bilhões de anos. A equipe do geólogo Tim Lowenstein, da Universidade de Binghamton (EUA), constatou mudanças na concentração de componentes químicos dissolvidos nas águas dos oceanos ao longo das últimas centenas de milhões de anos. A conclusão foi relatada em 2 de novembro na revista Science.
Desde os anos 1950, acreditava-se que a composição química dos oceanos teria sido mantida inalterada pela interação entre a água proveniente de rios e sedimentos do solo oceânico. A hipótese que admite alterações nessa composição foi proposta em 1984 por Lawrence Hardie, professor de ciências da terra na Universidade Johns Hopkins (EUA), e contestada até a recente descoberta de evidências que a corroboram. Hardie formulou sua teoria a partir da descoberta em 1976 de fontes submersas de água quente cuja composição química não se assemelhava à da água do mar ou de rios. Essas fontes são formadas em regiões próximas a fraturas em placas tectônicas. O calor da lava subterrânea cria uma corrente que empurra a água para o interior das fendas e a faz emergir nas fontes. Nesse percurso, a água do mar perde magnésio e sulfato e recebe potássio e cálcio. Com base nesses dados, Hardie supôs que a composição química dos oceanos resultaria da combinação da água jorrada pelas fontes submersas e do material proveniente de rios (água e sedimentos). O cientista também desenvolveu previsões sobre as alterações na composição química da água dos oceanos ao longo dos tempos. Testes com amostras de sal e calcário revelaram que a margem de erro de suas previsões era da ordem de 10 milhões de anos -- relativamente pequena diante da escala de tempo considerada (os oceanos teriam surgido há 3,5 bilhões de anos). As previsões de Hardie foram novamente confirmadas pela pesquisa da equipe de seu ex-aluno Lowenstein. Com um microscópio eletrônico equipado com raios-X, os cientistas analisaram a composição química de minúsculas gotas de água marinha de diversas épocas aprisionadas no interior de cristais de sal no momento da evaporação. Suspeita-se que as alterações na composição química da água dos mares tenham afetado as formas de vida marinha. A teoria de Hardie pode ajudar, por exemplo, a entender a origem dos grandes depósitos de carbonato de cálcio existentes no mundo. Esses depósitos foram formados a partir de esqueletos de nanoplâncton (micróbios marinhos) na era geológica do Cretáceo (palavra formada a partir da raiz latina cret, que significa argila, calcário). Segundo Hardie, sua origem estaria ligada à explosão da população de nanoplâncton devido ao aumento da concentração de cálcio na água do oceano. Atualmente, Hardie e o paleontólogo Steven Stanley testam a reação do nanoplâncton à água do mar alterada pela adição de cálcio.

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