Uma explicação para as concentrações de sal misteriosamente altas nos solos expostos nos Vales Secos da Antártida foi proposta por uma equipe de químicos da Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos, liderada por Huiming Bao. Segundo eles, o fenômeno se deve a emissões biológicas de enxofre nos oceanos que circundam o continente. O depósito atmosférico de sulfatos provenientes de algas marinhas emissoras de enxofre seria o principal responsável pela alta concentração de sal. A descoberta foi feita a partir da análise química de amostras de solo recolhidas na região e publicada na edição de 28 de setembro da revista Nature.
Durante décadas, os pesquisadores apontaram diversas possíveis explicações para as altas concentrações de sal nos Vales Secos da Antártida: um antigo mar que um dia teria coberto a região; os fortes ventos antárticos que teriam carregado para o continente o sal do mar; sulfatos biologicamente produzidos; erosão química e física de rochas ou atividade hidrotermal. Os pesquisadores constataram uma anomalia em um isótopo de oxigênio nos sulfatos que eles recolheram dos solos da região localizada próxima à estação antártica norte-americana McMurdo. A descoberta levou-os a concluir que esses sulfatos vieram de gases sulfúricos que haviam sofrido reações químicas na atmosfera e foram transportados para os Vales Secos. Como a Antártida fica a milhares de quilômetros das fontes de gases sulfúricos produzidos pelo homem devido à queima de combustíveis fósseis, os cientistas deduziram que esses sulfatos vieram majoritariamente das algas produtoras de enxofre abundantes no oceano em torno do continente.
A equipe de Huiming Bao constatou que, nas áreas dos Vales Secos próximas à costa, os sulfatos biologicamente produzidos respondiam por uma menor fração da quantidade total de sal. No entanto, à medida que se avança em direção ao continente, essa proporção aumenta substancialmente. Os pesquisadores descobriram também que regiões mais profundas dos Vales Secos apresentavam concentrações bastante maiores que a superfície de sulfatos biologicamente produzidos. As condições dos Vales Secos da Antártida são semelhantes às encontradas em Marte. Por isso, as observações podem ter implicações na busca de indícios de vida presente ou passada no planeta vermelho, assim como no entendimento das interações químicas entre sua atmosfera e superfície. A pesquisa ajuda a compreender alguns dos fenômenos que ocorrem em ambientes extremos como o de Marte.
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